Uma vida não foi o suficiente, ela precisava de algumas a mais.
Vivia sem regras, talvez o céu fosse o seu limite, assumia os riscos de suas
loucuras, sabia que a morte era sua sombra. Tinha consciência que seu fim
poderia estar numa esquina, num banheiro ou quarto qualquer. Trocava o dia pela
noite e não tinha endereço, cada dia uma casa diferente, acordando com uma boca
diferente. Batom vermelho, a mesma jaqueta de sempre – no bolso esquerdo o pó, no
direito o cigarro -, algumas doses de cachaça porque acreditava que a queimação
em sua garganta eram seus demônios sendo levados embora e estava pronta pra
descer a Augusta.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Ginga Genipapo
Aquela guitarrinha ranheta
Debochada disbocada
My Generation
Satisfaction
Aquela mina felina
Cuba sarro cocaína
Do You Wanna Dance
Don’t Let Me Down
Aquela ginga genipapo
Elástica solta rasteira
I’m Free
Like a Rolling Stone
Aquela ginga genipapo
Cheiro de porrada no ar
Street Fighting Man
Jumping Jack Flash
Aquele som de fuder
Orelhas pra que ti quero
Who Knows
Straight Ahead
Debochada disbocada
My Generation
Satisfaction
Aquela mina felina
Cuba sarro cocaína
Do You Wanna Dance
Don’t Let Me Down
Aquela ginga genipapo
Elástica solta rasteira
I’m Free
Like a Rolling Stone
Aquela ginga genipapo
Cheiro de porrada no ar
Street Fighting Man
Jumping Jack Flash
Aquele som de fuder
Orelhas pra que ti quero
Who Knows
Straight Ahead
Chacal
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Ah, Clarice
Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. Hoje
repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva.
Não estou me referindo muito a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num
conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar,
pois nada o substitui. E é uma salvação.
Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se
escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria
apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.
Que pena que só sei escrever quando espontaneamente a “coisa” vem. Fico assim à mercê do tempo. E, entre um verdadeiro
escrever e outro, podem-se passar anos.
Lembro-me agora com saudade da dor de escrever livros.
Clarice Lispector
sábado, 6 de julho de 2013
Você, você
"Que roupa você veste, que anéis? Por quem
você se troca? Que bicho feroz são seus cabelos, que à noite você solta? De que
é que você brinca? Que horas você volta? Seu beijo nos meus olhos, seus pés,
que o chão sequer não tocam. A seda a roçar no quarto escuro, e a réstia sob a
porta. Onde é que você some? Que horas você volta? Quem é essa voz? Que
assombração seu corpo carrega? Terá um capuz? Será o ladrão? Que horas você
chega? Me sopre novamente as canções, com que você me engana. Que blusa você,
com o seu cheiro, deixou na minha cama? Você, quando não dorme, quem é que você
chama? Pra quem você tem olhos azuis, e com as manhãs remoça. E à noite, pra
quem você é uma luz debaixo da porta? No sonho de quem você vai e vem, com os
cabelos que você solta? Que horas, me diga que horas, me diga, que horas você
volta?”
Chico Buarque
domingo, 31 de março de 2013
A Saudade
Onde mora o pecado,
mora sempre a saudade
do amor proibido
que não continuou.
Onde mora a virtude
também mora a saudade
do amor impossível,
do amor incompreendido,
do amor que está longe,
do amor que falhou ou do que feneceu.
Outro amor,
o ciúme,
algo estranho,
uma coisa qualquer
cortou a felicidade,
partiu os corações.
A saudade dorme, em silêncio,
mas sempre desperta.
A recordação a gente afasta quando quer.
A saudade é diferente,
ela volta de manso
e a gente não pode com ela.
mora sempre a saudade
do amor proibido
que não continuou.
Onde mora a virtude
também mora a saudade
do amor impossível,
do amor incompreendido,
do amor que está longe,
do amor que falhou ou do que feneceu.
Outro amor,
o ciúme,
algo estranho,
uma coisa qualquer
cortou a felicidade,
partiu os corações.
A saudade dorme, em silêncio,
mas sempre desperta.
A recordação a gente afasta quando quer.
A saudade é diferente,
ela volta de manso
e a gente não pode com ela.
(Carlos Marighella)
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Os Anos Inocentes
"O álcool é uma merda, eu sei muito bem o que é isto. A gente bebe pra anestesiar os sentidos, quando as porradas da vida betem com força demais. Até aí o álcool é bom, faz bem, relaxa. Depois, o álcool entra na vida da gente, entra no sangue da gente. Aí a vida da gente, que era uma merda, vira uma merda sem rumo, sem esperança de conserto."
Anos Rebeldes
Anos Rebeldes
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Balada do Amor Através da Idades
Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigamos, morremos.
Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.
Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o pito a punhal..
Me suicidei também.
Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira..
Pulei o muro do convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.
Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos.
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigamos, morremos.
Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.
Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o pito a punhal..
Me suicidei também.
Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira..
Pulei o muro do convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.
Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos.
Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Acabou, mais um ano que se acabou. Mais um ciclo, mais uma etapa dessa louca vida. Agora talvez fosse aquele momento de parar e fazer o balanço geral, do que foi bom, do que foi ruim, do que eu não vou mais fazer e o qual considero o principal: o futuro. O que esperar dele? O que eu quero dele? Acredito que essas e outras perguntas podem ser respondidas quando traçamos planos, metas e claro quando temos sonhos e fazemos de tudo para alcancá-los, não deixando que o passar dos dias, do tempo nos deixe esquecer, nos distanciar daquilo que queremos alcançar, do que realmente queremos!
domingo, 30 de dezembro de 2012
sábado, 29 de dezembro de 2012
Plena Mulher
Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas colunas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um só mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas colunas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um só mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.
(Pablo Neruda)
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Eu tô precisando de um bar, de amigos em volta da mesa com cerveja gelada e conversa boa. Tô precisando ver, conhecer pessoas novas, lugares agitados com gente pra todo lado, gente quente com sorriso no rosto. Eu tô precisando de uma aventura qualquer, sem compromisso com o que será do amanhã, viver o hoje, o agora. Porque eu tenho pressa, quero ser feliz, quero liberdade, vento na cara, sem ter medo de errar, sem pensar duas vezes. Encarar o que vier com amor, de peito aberto.
sábado, 20 de outubro de 2012
"Saudade do que nunca vai voltar. E dos amigos que se foram. Eu hoje estou com saudades, da noite e do calor que sobe do asfalto. Saudade quente. Saudade da roda de cerveja, dos amigos da madrugada e saudade de nadar no mar e um dia ter sido mais puro. Saudade da primeira namorada, e namorado também. Saudade, principalmente da irresponsabilidade"
Cazuza
Rondó da Liberdade
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
é preciso ter a coragem de dizer.
Há os que têm vocação para
escravo,
mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.
mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.
Não ficar de joelhos,
que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.
que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
O homem deve ser livre...
O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.
é preciso ter a coragem de dizer.
O homem deve ser livre...
O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
é preciso ter a coragem de dizer.
Carlos Marighella
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
De ontem em diante
De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada
são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes, um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada
são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes, um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem
O Teatro Mágico
O Meu Amor
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
Chico Buarque
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